Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Poupar para viajar...

Viajar é algo que se reveste de muita importância para mim. Seja uma viagem à China ou a Mirandela. Gosto de conhecer novos locais, novas culturas, redescobrir paisagens e pormenores, aprofundar percepções e impressões. O que me atrai nas viagens é essencialmente o sentimento de que tudo é novo, de que há imensas coisas para descobrir e experimentar. Gosto de olhar  para uma imagem, um mapa, uma fotografia, uma recordação e pensar: "Eu estive aqui e vivi isto". Para mim, viajar é descobrir coisas sobre o mundo e sobre mim mesma. É algo que me traz sempre alguma coisa em termos de desenvolvimento pessoal. Quando viajo, acabo por me dedicar a coisas que no dia a dia é raro fazer. Coisas que deveriam ser tão banais como apreciar uma paisagem vagarosamente, deambular sem grandes planos, de nariz no ar, a observar e a sentir tudo o que acontece à minha volta. Ou simplesmente ir a um museu. Ou estudar a fachada de um edifício. A verdade é que depois de uma viagem me sinto revigorada, apesar de voltar mais cansada do que fui, na maioria das vezes, tal é a vontade de apreciar e descobrir o mais que puder. Adoro folhear revistas de viagens (são os meus guilty pleasures a par dos livros de culinária) e planear, idealizar. Sonhar não custa, certo? Gostava de ir a imensos sítios, mas o que ultimamente me tem feito sonhar seria uma viagem comprida a Itália, percorrer o país e visitar várias cidades e regiões. Um sonho ainda um pouco distante, mas que certamente irei realizar um dia.Enfim, viajar é uma paixão. Há quem seja apaixonado por sapatos e goste de os comprar, eu gosto de viajar e enquanto tiver possibilidades de o fazer irei viajar o mais que puder... Não vou dizer que é a minha prioridade de vida, mas é algo que adoro e desejo fazer. Ressalvo que apenas o faço porque o actual orçamento familiar mo permite e porque vou adoptando algumas estratégias ao longo do ano para fazer face a essa despesa extra. Para mim seria impensável, por exemplo, contrair um crédito para fazer uma viagem/férias. O retirar dinheiro das poupanças para isso... Existem algumas coisas a ponderar, sem dúvida. Tenho pensado bastante neste assunto e cheguei à conclusão que existem alguns aspectos que podem facilitar este processo.

1 - Analisar o estado das finanças pessoais/orçamento familiar anual. 
Para mim, este é uma etapa essencial para planificar (ou não) uma viagem/férias. A primeira questão que coloco é: "As receitas previstas anualmente são suficientes para fazer face às despesas mensais essenciais (renda, água, luz, gás, alimentação, medicação, transportes, etc....)? e para outros compromissos financeiros assumidos (como por exemplo, seguros, créditos, contratos com empresas fornecedoras de serviços...)?" Se a resposta for não, para mim acaba-se o planeamento/idealização. Na minha opinião, não faz grande sentido ter consciência de que o dinheiro disponível não é suficiente para assumir todos os compromissos financeiros e despender dinheiro precioso numa coisa que, face a esse cenário hipotético, se torna supérflua. A segunda questão que coloco é "Consigo poupar dinheiro mensalmente para uma eventualidade/emergência ou para aqueles objectivos financeiros maiores que foram anteriormente definidos?" Se a resposta for negativa, talvez as receitas extras (como o subsídio de férias, para quem ainda beneficia dele ou o reembolso do IRS, por exemplo), sejam mais rentabilizadas se forem usadas para constituir um pé de meia. Não é o meu caso, mas caso existam créditos pode fazer a diferença no orçamento familiar, a curto prazo, se as receitas extraordinárias forem utilizadas para efectuar amortizações dos mesmos. Penso que só depois de fazer esta análise cuidada, estaremos em condições de tomar uma decisão sobre esta questão.

2 - Definir o valor máximo a despender
Sem um número em mente, torna-se difícil tomar decisões. Já planeei viagens sem esse valor em mente e a experiência diz-me que acabamos por tomar opções financeiras menos acertadas e por despender mais dinheiro, que poderia inclusivamente contribuir para financiar parte de uma segunda viagem ou ser utilizado noutra coisa qualquer. Acho que se definirmos um número, mantemos-nos focados em não o ultrapassar, o que facilita o resto do planeamento, pois estamos mais conscientes das nossas opções (acho que as possibilidades infinitas de destinos e opções, a idealização das experiências que podemos ter, acabam por nos tornar mais vulneráveis e menor racionais).

3 - Definir formas de financiamento da viagem
O que vamos utilizar para pagar a viagem? Vamos recorrer ao subsídio de férias na totalidade? Vamos fazer uma poupança mensal específica? Podemos realizar ajustes nos gastos mensais supérfluos e canalizar para este objectivo? Este ponto é fundamental. Cá por casa, evitamos despender a totalidade do subsídio de férias para essa finalidade. Ao longo do ano, vamos adoptando uma estratégia que acho que funciona na perfeição connosco: "fazer um mealheiro". Temos um mealheiro cá em casa (por acaso é uma vaca muito gira) que vamos alimentando de várias formas: com uma contribuição fixa da nossa parte (definimos um montante que colocamos das nossas contas pessoais e um que sai da nossa conta conjunta), colocando dinheiro esporadicamente (habitualmente chegamos ao fim da semana e colocamos todos os trocos disponíveis na carteira ou colocamos sempre que nos apetece/ nos lembramos) e com o dinheiro que vou ganhando com a actividade em alguns sites. Acham que não resulta? E se eu vos disser que paguei todas as despesas referentes a alimentação, transportes e entradas em museus/atracções da minha última viagem - que durou 6 dias - com o dinheiro proveniente do mealheiro? 
Penso que os mealheiros são uma estratégia que resultam para qualquer fim (desde as férias ao seguro do carro, passando pelos presentes de natal e pelo fundo de emergência), desde que tenhamos alguma disciplina e não utilizemos o dinheiro para outro fim que não o estipulado. Ressalvo aqui a existência de alguma emergência/alteração na vida familiar que nos leve a usar esse dinheiro, obviamente.

4 - Elaborar um orçamento de viagem
Quem está familiarizado com a elaboração de um orçamento familiar, facilmente fará um orçamento para a viagem. Tal como no orçamento familiar devemos ser exaustivos a prever todas as despesas possíveis: alojamento, deslocações para e no destino, entradas em museus/atracções turísticas, alimentação (todas as refeições principais, lanches e extras que poderão surgir, como cafés, chás, gelados, etc.), passaportes/vistos, aquisições a fazer antes da viagem (guias, roupas específicas...) e claro, dinheiro para imprevistos. Ninguém quer ter um episódio infeliz quando viaja, mas é importante estar prevenido para tal, seja uma doença, perder o voo, sofrer um assalto ou perder dinheiro... Apesar de ser totalmente contra o uso de cartão de crédito, quando viajo para fora de Portugal, vem sempre comigo. Mas com o intuito de o usar apenas em caso de emergência.
Elaborar um orçamento de viagem por vezes implica uma pesquisa exaustiva, mas quanto mais informação obtivermos mais fácil se torna o planeamento e a minimização de imprevistos. Tentar perceber qual o custo de vida da cidade/local que iremos visitar é fundamental, podendo obter essa informação quer pesquisando na internet, quer consultando os guias turísticos existentes que muitas vezes fornecem dicas preciosas sobre estas questões. Por exemplo, Estocolmo foi uma surpresa "desagradável" no que diz respeito ao custo de vida, em essencial no que diz respeito a restauração. Apesar de uma gestão cuidadosa, acabamos por gastar todo o dinheiro que inicialmente considerávamos uma verba mais do que razoável para fazer face às despesas.

5 - Tomar opções
Fica mais económico comprar um pacote turístico numa agência de viagens ou fazer reservas a título particular via internet? Depende do que pretendemos, mas não há nada como pesquisar bastante e comparar opções. Há destinos em que os pacotes das operadoras turísticas são mais vantajosos, outros em que a melhor opção é fazer reservas independentes. Regra de ouro aprendida a nível profissional: no mínimo, obter pelo menos três orçamentos! Podemos ter surpresas muito agradáveis, decorrentes desta prática.
Se a nossa opção for fazer reservas independentes há vários sites de comparação de preços de viagens como a edreams ou de comparação de hotéis como o Trivago , a título de exemplo. Não há nada como fazer contas.
Compensa adquirir um cartão da cidade (como o Barcelona Card ou o Oporto Card)? Na minha opinião, habitualmente compensa, mais não seja pelo acesso ilimitado aos transportes públicos que costuma estar associado a este tipo de cartões e pelos descontos na entrada de atracções turísticas, ou mesmo entrada gratuita nas mesmas.
Tomar opções é também conseguir planear umas férias que sejam capazes de nos proporcionar um prazer duradouro no tempo, ajustadas ao nosso tipo de agregado familiar e disponibilidade financeira, que não criem um impacto negativo futuro na vivência quotidiana. De que me adianta ir às Maldivas viver uma semana de sonho - que me custará uma pequena fortuna - e que terei de pagar em 60 prestações taxadas a um juro de 25%/ano? Tomar opções é pensar em coisas viáveis e encontrar alternativas: Não posso ir uma semana para Paris? Se calhar posso ir um fim de semana prolongado ao Alentejo! Não posso custear um hotel de três estrelas? Se calhar posso custear um hostel.... entre outros exemplos....

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